Tsunami


Tsunami, venha e me leve. 
Lave os caminhos, arrase, lave, leve. 
Seja breve. 
 
Sim, eu sei, ao chegar eu sei que morro.   
Eu prometo, eu não corro – Inútil desatino. 
De longe traga nessas águas meu destino. 
 
Traga tudo que existe nessas ondas. 
Nessas massas tudo trague. 
Nessas vagas que assombram. 
 
Lave as orlas. 
Invada o mar o continente. 
Lave, leve as vidas desta gente. 
 
Leve, lave as ruas da cidade. 
Trague, cale os piedosos penitentes. 
Afogue os presentes, os passados, os ausentes. 
 
Leve os corpos afogados. 
Lave os fatigados pavimentos. 
Leve o meu corpo em meio aos excrementos. 
 
E se faça toda fúria suave calmaria. 
Então retorne ao seu leito n’oceano. 
E se faça o silêncio logo após cair o pano. 
E repousem as memórias na placidez das águas frias. 
 
 

Pedro Luz Da Vas Viiegas 
Porto Alegre, dezembro, 2001

Tsunami

Tsunami, ven y llévame.
Lava los caminos, arrasa, lava, lleva.
Sé breve.
Sí, lo sé, al llegar sé que muero.
Lo prometo, no huyo —
inútil desatino.
Desde lejos trae en esas aguas mi destino.

Trae todo lo que existe en esas olas.
En esas masas trágalo todo.
En esas vagas que espantan.

Lava las orillas.
Invade el mar el continente.
Lava, lleva las vidas de esta gente.

Lleva, lava las calles de la ciudad.
Traga, silencia a los piadosos penitentes.
Ahoga los presentes, los pasados, los ausentes.

Lleva los cuerpos ahogados.
Lava los fatigados pavimentos.
Lleva mi cuerpo entre los excrementos.

Y que toda furia se haga suave calma.
Entonces retorna a tu lecho en el océano.
Y que se haga el silencio justo tras caer el telón.
Y reposen las memorias en la placidez de las aguas frías.

Pedro Luz Da Vas Viiegas
Porto Alegre, diciembre, 2001

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