Moradas

Na morada de cima
o tempo parou
ervas daninhas
soturno silêncio
vazio, solidão

Na morada ao lado
cães ladram na noite
silenciosos murmúrios
furtivos segredos
culposa paixão

Na morada de baixo
a vida é urgente
recomeço de um ciclo
movimentos e risos
doce ilusão

Nesta morada um abismo
se abriu de repente
tudo que havia
toda esperança
o abismo engoliu

e não há mais namorada
e não há mais ninguém
e nesta morada
tudo que houve partiu

somente há escombros
e não há mais morada
nada mais na morada
não há mais namorada

Pedro Viegas
Porto Alegre, Fevereiro 2001

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