Vem, ó virgem diáfana e linfática!
Fundir-me-ei à tua dança matemática.
Arquitextura a lapidar teu frontispício.
Exatos eixos, geratrizes, traço auspício.
Teu ventre cifra o infinito em segredo.
Mapeio em ti o navegar do meu degredo.
Curvo-me ao fulgor que de ti é emanado.
Por ti louvo o profano e difamo o sagrado.
Auroras lívidas de silício e alumínio
Precederão a minha queda ao teu domínio
Enquanto a orbe te estender o palio ancestral
Para trazeres até mim esse teu beijo sideral.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Cachoeirinha, 04/05/2025
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Comentário:
Sidérea desliza entre o rigor geométrico e o mistério lunar, fundindo ciência e poesia num balé cósmico. O poema evoca uma união transcendente entre o eu lírico e o infinito feminino, onde o sagrado e o profano se entrelaçam numa dança sideral de luz e sombra. É uma ode à fusão entre razão e emoção, matéria e espírito — um convite à viagem pelo desconhecido, guiada por uma virgem diáfana que cifra segredos eternos.