Pegadas

Não nego que sou rocha,
Não nego que sou gelo,
Não nego meus defeitos
Que são tantos quanto a areia.

E, como ela, aceito tuas pisadas
E marco tuas pegadas
Que o tempo logo leva.

Minha solidez
Desfaz-se com o tempo
Desfaz-se com a saudade.

Ah, essas pegadas tuas em minh’alma!
Já não sou pedra, sou barro
Que grudou nos teus sapatos.

Pedro Luiz Da Cas Viegas
Cachoeirinha, 13/08/2025

Pegadas: a conversão pela saudade

Neste poema, o homem duro e impenetrável — rocha, gelo, pedra — revela sua transformação profunda, impulsionada pela saudade que sente. É essa ausência, esse vazio, que o desmancha, assim como o tempo que apaga a solidez, e o torna mais vulnerável.

Ele se vê agora como a lama grudada nos sapatos da amada — um símbolo de entrega, conexão e mudança interior. A saudade não apenas distancia, mas também converte, moldando-o em algo novo, mais sensível e aberto ao afeto.

Assim, o poema explora a força da saudade para transformar até o mais endurecido dos corações.

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