Absinto

Penso, repenso que vejo
De certo modo pressinto
Que decerto o amargo absinto
Se faz sentir no mais doce beijo

Creio, receio destarte
Das coisas, o princípio arcano
Percebo ínfima parte
E vivo um ledo engano

Insisto e sigo entretanto
Projeto meu ser adiante
O trajeto perfaço enquanto
Incerto do modo operante

Se penso, se faço, se digo
Se tento, persigo, consigo
Se volto, revejo, pondero
Se busco, procuro o que quero

Pedro Luiz Da Cas Viegas
Pantano Grande, 20/12/ 2001

Ajenjo

Pienso, repienso lo que veo,
de cierto modo presiento
que ciertamente el amargo ajenjo
se siente en el beso más dulce.

Creo, temo por ello
el principio arcano de las cosas,
percibo ínfima parte
y vivo un vano engaño.

Insisto y sigo entretanto,
proyecto mi ser adelante,
el trayecto completo mientras
incierto del modo actuante.

Si pienso, si hago, si digo,
si intento, persigo, consigo,
si vuelvo, reviso, pondero,
si busco, procuro lo que quiero.

Pedro Luiz Da Cas Viegas
Pantano Grande, 20/12/ 2001

Absinto II

Consagro meu silêncio
Aos teus olhos de  Budesa sorridente.
Consagro meus suspiros
Ao teu sorriso vaporoso indecente.

Mas és tu um sonho inalcançável
Distante, criação de outro mundo,
Ideal de um louco desvairado,
Anseio de um pobre moribundo.

Restam-me o silêncio e os suspiros,
Nunca mais aquele brilho de outrora.
Resta-me sonhar o impossível,
Suave toque e doce beijo de amora.

Fim, fim! Nunca mais! disse o corvo.
Resta a companhia do velho absinto.
Passam as horas, nostalgia absorvo.
É o que me resta, tenho e também sinto.

Pedro Luiz Da Cas Viegas
Cachoeirinha, 10 de março de 2025