Eu ando assim
deste modo,
do modo que tenho usado,
do modo que me foi dado,
do modo que sei andar.
Eu tenho andado
atordoado e confuso,
entediado
do uso
que a tudo tem de se dar.
Ando sedado
pros falsos brilhos do mundo,
pra tantos versos docinhos
que não me tocam profundo.
Mas esqueço isto tudo
por um amor que entenda
que pior que a tormenta
é o amorzinho cliché.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Cachoeirinha, 13/06/2025
Tag: existencial
Tudo está claro

Sim, agora está claro.
O escuro deste quarto anoitecido demonstrou, e então eu pude recordar a noite anterior e a noite antes dessa até os limites mais profundos do vasto abismo da memória.
Percebi o enorme torvelinho de noites passadas, escoadas no vácuo do passado, e vislumbrei as parcas noites que hão de seguir o mesmo curso.
Percebi, ainda, que a recordação da noite precedente a todas as recordações pulsava em meu esquecimento, viva, surda, pulsante como pulsa o coração no breu.
Lembrei de Funes, que lembrava de todas as minúcias.
Lembrei que quanto mais memórias há, mais se viveu e menos tempo resta.
Lembrei que a memória conspira com o pensamento para trazer a
brutal percepção da aproximação do inadiável fim.
Lembrei. E só peço para esquecer.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Cachoeirinha, 20/05/2025
Levíssimo incenso
Não estou tranquilo. Passa o dia irremediavel.
Apesar dessa doçura, apesar dessa leveza
envolvente em tudo, ainda assim
não estou tranquilo.
Essa leveza de coisa que evapora. Essa doçura dissolvida no silêncio.
Não estou tranquilo.
-É a vida que docemente se esvai como levíssimo incenso.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Gravataí, 14/03/2013 – 17/04/2013
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