És tu que bates?

Imagem gótica ilustrativa do poema

Alguém bate.
Aqui dentro, aqui.
Alguém bate.
És tu,
tu novamente?

És tu que falas
por minha boca
enquanto durmo?
És tu que semeias pensamentos
que não desejo?

És tu que há tanto
me corrompes,
me acompanhas,
me aguardas,
me anseias?

És tu,
és tu que bates,
que me despertas,
que me adormeces,
que me trazes tais pesadelos?

És tu a encheres meu peito
com lama pesada de pauis?
Tanto pareces me querer,
tanta gula, essa tua,
que se desenha nesta muda dor.

És tu a me chamar?
Monja descarnada,
cantas assim, soturna,
embalando meu tempo
a escoar, escoar…

Pedro Luiz Da Cas Viegas
Cachoeirinha, 31/07/2025

Meu breu

Descrição da imagem

Faz frio nesta época
e nestas profundezas.
Algo dorme aqui.
Sempre dormiu.
Quem aqui jaz já sorriu.

O metal desses sinos
matou em idas eras.
Hoje dobra sobre os túmulos
dos que dormem sorrindo.
Hoje durmo.
Desde sempre dormi.
E aguardo o sono de todos os sonos.

Eu vou lutar.
Eu vou lutar.
Eu vou lutar.
Eu vou matar.
E morto,
verei a face que me olha
do fundo deste meu breu.

Pedro Luiz Da Cas Viegas
Cachoeirinha, 29/07/2025