Contato

Se viver é preciso,
Sem ti, não há motivo.
Parto em tua busca,
Rastreio em banda larga
Tua voz, teu cheiro, teu paradeiro.
Desconectado, mesmo pesquiso
A razão destas fases,
O bem que me fazes.
Pesquiso e te encontro.
E sinto, fundido em ti,
Teu calor, teu morno palor,
Teu contato.
E pesquiso, e busco, e penso
O sentido que tu me trazes
A falta que tu me fazes.

Contata-me,
E então me arrasa.

Pedro Luiz Da Cas Viegas
Cachoeirinha, 21 de março de 2025

Contacto

Si vivir es preciso,
sin ti no hay motivo.
Parto en tu búsqueda,
rastreando en banda ancha
tu voz, tu olor, tu paradero.
Desconectado, aun así busco
la razón de estas fases,
el bien que me haces.
Busco y te encuentro.
Y siento, fundido en ti,
tu calor, tu palidez tibia,
tu contacto.
Busco, busco, pienso
el sentido que me traes,
la falta que me haces.

Contáctame,
y entonces destrózame.

Pedro Luiz Da Cas Viegas
Cachoeirinha, 21 de marzo de 2025

Absinto

Penso, repenso que vejo
De certo modo pressinto
Que decerto o amargo absinto
Se faz sentir no mais doce beijo

Creio, receio destarte
Das coisas, o princípio arcano
Percebo ínfima parte
E vivo um ledo engano

Insisto e sigo entretanto
Projeto meu ser adiante
O trajeto perfaço enquanto
Incerto do modo operante

Se penso, se faço, se digo
Se tento, persigo, consigo
Se volto, revejo, pondero
Se busco, procuro o que quero

Pedro Luiz Da Cas Viegas
Pantano Grande, 20/12/ 2001

Ajenjo

Pienso, repienso lo que veo,
de cierto modo presiento
que ciertamente el amargo ajenjo
se siente en el beso más dulce.

Creo, temo por ello
el principio arcano de las cosas,
percibo ínfima parte
y vivo un vano engaño.

Insisto y sigo entretanto,
proyecto mi ser adelante,
el trayecto completo mientras
incierto del modo actuante.

Si pienso, si hago, si digo,
si intento, persigo, consigo,
si vuelvo, reviso, pondero,
si busco, procuro lo que quiero.

Pedro Luiz Da Cas Viegas
Pantano Grande, 20/12/ 2001

Lua Marina

Luar da beira do mar
Luar marinho
Lua marinha
Lua marina
Marina lua lá n’horizonte
Marina distante
Curvatura do mar
Quase não posso alcançar
Marina espelhada nas águas
Brilha marina
Lua no mar
Meus olhos te sentem
Percebem teu leve tocar
Prateado na face
Teu leve luar ilumina
O meu lado escuro
Nas ondas de prata
Pensamento a vagar
Pensamento marino
Pensamento lunar

Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, maio/2003

Absinto II

Consagro meu silêncio
Aos teus olhos de  Budesa sorridente.
Consagro meus suspiros
Ao teu sorriso vaporoso indecente.

Mas és tu um sonho inalcançável
Distante, criação de outro mundo,
Ideal de um louco desvairado,
Anseio de um pobre moribundo.

Restam-me o silêncio e os suspiros,
Nunca mais aquele brilho de outrora.
Resta-me sonhar o impossível,
Suave toque e doce beijo de amora.

Fim, fim! Nunca mais! disse o corvo.
Resta a companhia do velho absinto.
Passam as horas, nostalgia absorvo.
É o que me resta, tenho e também sinto.

Pedro Luiz Da Cas Viegas
Cachoeirinha, 10 de março de 2025