Absinto II

Consagro meu silêncio
Aos teus olhos de  Budesa sorridente.
Consagro meus suspiros
Ao teu sorriso vaporoso indecente.

Mas és tu um sonho inalcançável
Distante, criação de outro mundo,
Ideal de um louco desvairado,
Anseio de um pobre moribundo.

Restam-me o silêncio e os suspiros,
Nunca mais aquele brilho de outrora.
Resta-me sonhar o impossível,
Suave toque e doce beijo de amora.

Fim, fim! Nunca mais! disse o corvo.
Resta a companhia do velho absinto.
Passam as horas, nostalgia absorvo.
É o que me resta, tenho e também sinto.

Pedro Luiz Da Cas Viegas
Cachoeirinha, 10 de março de 2025