Lua Marina

Luar da beira do mar
Luar marinho
Lua marinha
Lua marina
Marina lua lá n’horizonte
Marina distante
Curvatura do mar
Quase não posso alcançar
Marina espelhada nas águas
Brilha marina
Lua no mar
Meus olhos te sentem
Percebem teu leve tocar
Prateado na face
Teu leve luar ilumina
O meu lado escuro
Nas ondas de prata
Pensamento a vagar
Pensamento marino
Pensamento lunar

Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, maio/2003

Ainda que pareça nada

Não custa ser este cascalho opaco
nos espaços existentes entre brilhantes pedrarias.
Darei assim algum sentido aos meus dias
fazendo o respaldo fosco ao brilho que não tenho.

Vou pavimentar com a minha existência
os caminhos dos passantes consagrados
e serei feito do pisar desses solados
que quando tenham ido eis que então eu venho.

Cimento a ligar as pedras das paredes de uma casa,
raízes sob a terra segurando os taludes das canhadas,
não custará estar presente e não visto, e estar vivo.

Serei na areia tua efêmera pegada,
colorido grão de mandala condenada,
vazio abismo, de estrelas estarei crivo.

Pedro Luiz Da Cas Viegas
Porto Alegre, 30 de outubro de 2004

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